TIÃO MAIA, DO AMAZÔNIA AGORA

A autêntica briga de foice no escuro travada nos últimos dias entre o vice-governador Wherles Rocha e a presidência do PSL (Partido Social Liberal) no Estado, na pessoa do presidente regional Pedro Valério, que só não teve até aqui dedo no olho ou xingamento às genitoras de ambos os contendores, deverá ter novos desdobramento até a próxima quarta-feira 01/07. Ambos os políticos brigam pelo controle da sigla no Estado.

Deputado federal Júnior Bonzzella vem ao Acre tentar apagar os incêndios em torno da direção regional do PSL

É na quarta-feira 1 que chega ao Acre, enviado pela direção nacional do Partido, o deputado federal Júnior Bonzella (PSL-SP), vice-presidente da executiva nacional, cuja missão é por fim à contenda. Bonzella vem em nome do presidente nacional da sigla, o deputado federal por Pernambuco Antônio Bivar. É que tanto Rocha como Valério falam em Bivar.

Rocha diz que, antes de conversar com a direção local do PSL para anunciar sua intenção de se filiar na sigla com seu grupo político, que inclui a irmã Mara Rocha, que é deputada federal pelo PSDB, esteve com a direção nacional e local. “Conversei com o Pedro Valério e falei da minha disposição de ajudar a sigla a crescer no Estado. Estive na Nacional, onde fui muito bem recebido, e quando percebi que estava tudo bem, no dia seguinte à conversa com o presidente regional, fui surpreendido na imprensa com o Pedro Valério espatifando tudo”, disse Wherles Rocha, em entrevista exclusiva ao Amazônia Agora na última segunda-feira à noite. “Minha intenção é realmente fortalecer ao Partido e mostrei isso a Executiva Nacional. Agora, só converso com a direção nacional e cabe a eles decidirem”, acrescentou Rocha.

Vice-governador Maor Rocha diz que seu interesse é fazer crescer o PSL no Acre

O vice-governador não fala sobre o assunto, mas nos bastidores a informação é de que esta movimentação tem a ver com às eleições municipais deste ano mas, principalmente, com o pleito de 2022, quando o próprio Rocha pretende ser protagonista do processo, disputando eleições majoritárias – ele seria candidato ao Governo ou ao Senado. Sobre seu futuro, Rocha admitiu que está em compasso de espera. A espera é pelo governador Gladson Cameli. Se ele for candidato à reeleição, Rocha deve sair para o Senado. Se Gladson renunciar para ser candidato ao Senado, com Rocha assumindo a titularidade do Governo, deve ser o atual vice-governador candidato à reeleição ao Governo. “Tudo depende do que o Gladson decidir”, disse Rocha lembrando que, na briga pelo controle do PSL, o atual governador, chateado com seu partido, o PP, também teria aventado a possibilidade de filiar-se aos liberais. “É claro que seria uma honra ter a companhia do Gladson em qualquer Partido”, disse Rocha.

Senador Márcio Bittar nega envolvimento na disoputa e diz que em 2022 não será candidato a nada

Em relação ao futuro, as movimentações de Rocha ainda incluiriam o senador Márcio Bittar (MDB-AC), que o apoiaria nas investidas sobre o PSL. Por telefone, em Brasília, Márcio Bittar disse ao Amazônia Agora que as desavenças com Rocha durante a campanha eleitoral estão superadas, que o vice-governador é seu amigo, mas ele, enquanto senador do MDB, nada fez em relação ao PSL. É que, de acordo com as especulações se aposse do PSL, Rocha faria dobradinha com Márcio Bittar, que seria candidato a governador pela sigla caso ele saísse para o Senado. “Posso garantir que, em 2022, não sou candidato a nada”, disse Bittar.

Governador Gladson Cameli teria manifestado simpatia pelo programa do PSL

Ao contrário de Rocha, Gladson Cameli seria bem vindo ao PSL, depreende-se do que diz Pedro Valério sobre o governador. “Quando falou sobre o PSL, o governador elogiou o Partido, falou do seu valor programático. Bem ao contrário do Rocha, que já chegou desqualificando nosso Partido, dizendo que não somos nada e que não vamos eleger ninguém”, questionou Pedro Valério. “O que ele quer é nosso tempo de TV e nosso Fundo partidário para beneficiar os candidatos dele, tanto na Capital como no interior, que já estão todos postos. Ou alguém acha que o Rocha deixaria de apoiar os candidatos do PSDB para apoiar os do PSL”, acrescentou Pedro Valério.

Pedro Valério tenta se segurar na direção expondo que o interesse é pelo fim do PSL

No encontro com o enviado pela direção nacional do PSL, essas questões serão postas. “Nós vamos mostrar que o interesse do Rocha é em nos destruir, acabar com nossa pré-candidatura na Capital e em todos os municípios do interior”, afirmou Valério.

O dia 1 de julho, portanto, será fatal para direção atual do PSL. Ou sai ou fica empoderada. Major Rocha, o beligerante vice-governador, conta com o mandato de deputada federal da irmã e com a promessa de que, sob sua direção, em 2022, o PSL faria mais dois deputados federais. Mandato de deputado federal é uma espécie de pedra preciosa para as direções partidárias em Brasília. Na mesma medida em que contam com esses trunfos, o vice-governador pode enfrentar também o prestígio e os argumentos de Pedro Valério junto ao diretório  nacional.

“O que o Rocha quer é que o PSL seja estuporado em seu conteúdo programático, apoiando, por exemplo, um candidato a prefeito que veio da esquerda radical e que nada tem a ver com o PSL”, disse Valério em relação ao professor Minoru Kinpara, provável candidato do PSDB à Prefeitura de Rio Branco, que foi presidente regional do PT e candidato as senador, em 2018, pelo Rede Sustentabilidade, um neo-tucano.