A igreja como o organismo vivo de Deus na Terra é constituída de homens e mulheres de toda faixa etária que comungam mediante aos ditames das Escrituras Sagradas, onde há um só corpo e um só Espírito vivendo em alinhamento e unidade. Isso é o que move e alimenta a integração da nossa fé. Contudo, “ser igreja”, que é mais importante do que “fazer igreja”, é a convicção de que os cristãos foram chamados em uma só esperança da sua vocação (Ef 4.4). Essa compreensão teleológica desemboca numa relação de confiança ao único Deus tornando a fé cristã uma crença monoteísta. Se Deus é um só, nossa relação com Ele deve ser individual, tangível e sincera.

O ensino apostólico nos ensina que há um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos e por todos e em todos (Ef 4.5,6). Porém, a pandemia nos privou da importância da koinonia cristã.

A pandemia é uma enfermidade epidêmica amplamente disseminada. Com isso, nos isolamos, nos encavernamos em nossos lares como o profeta Elias, que certa vez o fez por conta própria, mas logo ouviu a repreensão de Deus que sua relação com Ele jamais poderia ser interrompida. Ele ouviu ao Senhor e fez a diferença.

Na época no antigo Egito o povo de Deus sofreu um verdadeiro lockdown na terra de Gósen, onde ninguém poderia sair das suas casas por causa de uma ameaça iminente pré-avisada pelo próprio Senhor, de que ali passaria o anjo da morte para ceifar a vida de todos os primogênitos. Os não penalizados teriam que ter a marca do sangue de um cordeiro nos umbrais de suas portas. E é lógico que isso tipificava o sangue do Cordeiro de Deus, Cristo.

Pensando no papel da igreja na pandemia, a pergunta paulina soa como uma explanação de algo profético na vida da igreja de hoje: “Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada?” (Rm 8.35). O que pode separar a igreja orgânica de Cristo? Seria o isolamento social, o impedimento de não congregar? A separação de seus pares por área de risco? Distanciar as crianças e os idosos? Desagregar o clero e desmembrar o laico? É óbvio que não!

Entretanto, a única esperança que vem à mente diante de momentos sem definições claras de todos os âmbitos, é a de que em todas estas coisas somos mais do que vencedores por aquele que nos amou (Rm 8.37). A pandemia não trouxe bons resultados, mais ruins. Muitos ente queridos partiram por causa da infecção do vírus. Muitos outros venceram suas dolorosas etapas. A maioria vive na esperança de não ser infectada ou que surja a bendita vacina. Porém, aprendemos como nunca que a “igreja-organismo” sempre será mais relevante do que a “igreja-instituição”. E é certo que podemos afirmar como o apóstolo Paulo disse aos romanos: “Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus (Rm 8.38,39).

 

Pr. Eldo Gama é pastor-presidente da Igreja Batista Filadélfia no Acre, é formado em Letras pela Universidade Federal do Acre, é Bacharel em Teologia pela Universidade Gama Filho e licenciado em Educação Religiosa. É escritor com mais de 40 obras dentre elas: Seja um trabalhador na casa do Pai, Governe, Líder, uma espécie em extinção, Hombridade e Discipulado eficaz.